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Setembro Amarelo: Vamos previnir o suicídio?

O tema é complexo, delicado e cheio de tabus, mas não pode ser ignorado pela sociedade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas morrem todos os anos por atentarem contra a própria vida, o que corresponde a uma morte a cada 40 segundos. A cada morte, pelo menos seis pessoas são impactadas diretamente. A consequência é alarmante: em 2015, o suicídio foi considerado a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. Só no Brasil, 32 pessoas cometem suicídio todos os dias.

Diante destes números é impossível não pensar que algo está acontecendo na sociedade que tem aumentado drasticamente o número de pessoas que pensam em terminar com a própria vida como forma de alívio da dor e do sofrimento. Mas o que seria isso?

Podemos pensar este assunto sob infinitos pontos de vista. Muitos profissionais da área da saúde mental atribuem ao “novo estilo de vida moderno”, grande parcela da culpa por este aumento tão expressivo no número de suicídios. Abaixo listamos os principais deles:

  • Excessos tecnológicos

É indiscutível que a tecnologia transformou nossa vida pra melhor. Praticamente em todas as áreas a tecnologia trouxe avanços e praticidade ao ponto que se tornou impossível pensar nossas vidas sem ela. No entanto a linha que divide a contribuição da doença é muito tênue. Pessoas que são completamente dependentes da tecnologia e acabam trocando suas relações interpessoais pelas redes sociais podem estar causando um grande problema social.

O enfraquecimento dos laços e vínculos adoece. Somos seres sociáveis e precisamos nos relacionar para um bom funcionamento do nosso organismo físico e psíquico. É fundamental saber dosar o tempo que passamos no mundo virtual com o tempo que passamos no mundo real.

  • Baixo limiar à frustrações

Saímos recentemente de uma geração que “nada podia”, que experimentou uma ditadura, um golpe militar e muita censura. Os jovens daquela época que lutaram pela liberdade se tornar pais que deram muita liberdade para seus filhos e que fizeram o mesmo para as gerações de agora. Existe um número assustador de adolescentes e adultos jovens que não souberam criar limites pois podiam tudo. O efeito disso na vida real é que criaram-se pessoas com baixa capacidade de lidar com frustrações e isso é a “morte” das nossas principais defesas psíquicas.

  • Sociedade do consumo

Em uma sociedade onde o dinheiro passa a ser o foco, muitas vezes podemos verificar uma inversão de valores onde as relações sociais e suas dinâmicas não são tão importantes quanto o ter. Deixamos de valorizar o ser pelo ter e isso cria pessoas muito mais individualizadas, egoístas e egocentristas. O enfraquecimento da empatia e das relações humanas pode ser um grave fator de adoecimento mental. Se não quisermos morrer pelo dinheiro, devemos parar de viver por ele.

  • Excesso de informação 

Uma criança de 123 anos hoje, tem mais exposição a informação do que todos os reis de Roma tiveram juntos. É assustador o que fazemos com nosso cérebro no que se refere à informação. Estamos a todo tempo sendo bombardeados delas e precisamos lidar com tudo isso em uma velocidade cada vez menor. Somos cobrados a produzir cada vez mais e em menor tempo. Muito pela questão tecnológica, encurtamos distancias e demos um novo significado ao tempo.

Não é difícil encontrarmos no nosso dia-a-dia pessoas que reclamam que o tempo está passando rápido de mais, que as semanas, meses e anos parecem desaparecer diante de nós e que ao mesmo tempo, a sensação é que não se tem tempo pra nada. Fazemos cada vez mais, mas sentimos que falta cada vez mais tempo para as coisas.

Saber perceber o outro e a nos mesmos nesta carreira e automatismo pode ser algo que fará a diferença na vida de alguém.

Independente de tudo isso, nossa mente é capaz de maravilhas e o ser humano pode ser criador de verdadeiros milagres. Precisamos superar mais esta etapa na evolução humana e encontrar uma forma de criar um futuro humano, de boas e profundas relações, de amor e paz. A resposta não está no passado, mas em viver o presente encontrando soluções para um futuro brilhante.

Você não está sozinho. Se acredita que o peso que está carregando é grande de mais, divide ele com a gente: [email protected] | (31) 99587-7574

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