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Eu vou comer cebola? Mitos da hipnose

Será verdade aquela história der que alguém em transe come cebola achando que é maça, acha gostoso, faz cara boa e nem chora?

Hoje começa uma mini série aqui no canal que vai trazer os principais mitos sobre o processo hipnótico. Se você ainda tem algum medo sobre esta técnica ou conhece alguém que tenha, manda este post pra ele e venha comigo porque você vai ver que hipnose não é o que parece, e é mais poderosa do que muitos imaginam!

“Eu vou comer cebolas?” pode parecer brincadeira, mas ainda hoje, muitos clientes chegam até o consultório com este medo. Mas porque será que isso acontece com tanta frequência?

Bem, o senso comum sobre a hipnose é carregada de misticismo e preconceitos. Isso se deve pela própria história da hipnose que sempre esteve muito ligada aos rituais místicos e rebuscados e porque os hipnotistas sempre criaram um estigma de mago detentor de um certo poder sobre a mente das pessoas. Embora hoje já se sabe que não tem nada disso, de que hipnose é uma técnica científica, que não tem poder nenhum envolvido, apenas o poder da mente e o poder da comunicação, muitos ainda acreditam nessa hipnose hollywoodiana.

Mas sobre a tal cebola, o responsável por programar este medo na mente das pessoas é outro: Fábio Puentes. Puentes é nascido no Uruguai mas mora no Brasil há mais de 20 anos. Foi ele quem popularizou a hipnose na década de 70-80, fazendo suas apresentação impactantes nos principais programas de TV da época. Dentre seus números mais recorrentes estavam: atravessar uma agulha no pescoço das pessoas, fazer a ponte humana, subindo em sima de alguém que estava deitado suspenso pela cabeça e pelos tornozelos em duas cadeiras, ou fazer a pessoa comer uma cebola achando que era maça. 

Sim! Ai nasce este mito da cebola. Tudo isso era impactante, e certamente o objetivo de Puentes era impactar. A hipnose sempre foi tica como truque ou charlatanismo, então o uruguaio queria demonstrar algo que seria impossível de ser armado ou combinado, e por isso ele sempre seguia este caminho impactante em suas apresentações. De certa forma tudo isso foi bom, pois mostrou o poder da técnica, fez com que muitas pessoas tivessem acesso à hipnose, mas por outro lado criador uma geração inteira de traumatizados. Hahahaha.

Brincadeiras a parte, realmente muitas pessoas ainda carregam esta ideia de que hipnose é passar vergonha, de que estar em transe significa perder o poder de criticar e aceitar fazer tudo que o hipnotista quiser. Isso não é verdade. O que Puentes fazia era sim verdade. Com uma pessoa em trane podemos sugerir analgesia e atravessar uma agulha pelo seu pescoço. Podemos também sugerir catalepsia e ela vai ficar tão enrijecida eu se pode colocá-la em duas cadeiras e subir em cima. Da sim pra fazer a pessoa comer cebola achando que é maça. Mas tudo isso não significa que a pessoa faz o que não quer, ou que ela está sob o controle do hipnotista. 

A pessoa em transe aceita sãs sugestões que ela julgar que estão de acordo com seus princípios e valores. Se ela acha ok comer cebola achando que é maça ela vai fazer isso, mas se por qualquer motivo ela julgar esta ação constrangedora, perigosa ou imoral, ela simplesmente não vai fazer. 

O mais interessante sobre a cebola é que quando a pessoa está em transe e decide aceitar a sugestão. Importante reforçar isso. A pessoa em transe é quem decide ou não aceitar a sugestão, mas se ela então aceitar, ela vai comer a cebola, podendo ver como maçã, ou sentir que é uma maça, ter gosto de maça e muitas vezes ela nem chora, porque já que para o seu cérebro aquilo é maça, maça não faz chorar, logo ela não dera nenhuma lágrima. É realmente impactante de se ver.

Mas o que eu quero deixar claro com este vídeo é que embora tudo aquilo que Puntes fazia e que muitos hipnotistas de palco fazem até hoje seja real, não é controle mental, não é poder e não tem ninguém ali sendo obrigado a nada. Em transe as pessoas mantem sua capacidade de escolher, de filtrar, de julgar e de decidir. 

E é claro que durante sessões de hipnose clínica nada disso será cogitando. O objetivo na clínica é aquele que o cliente trouxer. O hipnotista não vai fazer nada além do que for a demanda terapêutica trazida pela pessoa e o que pretendemos no consultório não é impactar ninguém com sugestões extremas, pois não se trata de um show em um programa de tv, mas de um processo de mudança a dois, com sigilo, com profundidade e visando mudanças a longo prazo, e não apenas uma modulação de percepção momentânea. 

Importante também pontuar esta diferença. No show de hipnose, as sugestões do hipnotista têm o objetivo de mudar uma representação daquela pessoa naquele momento apenas. Depois do show, vida que segue. Tudo continua na mesma, pois não existe ressignificação de absolutamente nada. Na clínica é o contrário. Não temos o objetivo de causar mudanças momentâneas, mas sim de ressignificar, mudar algo para além daquele momento, para fora da sala te atendimento. 

Resumindo, não se preocupe porque na hipnose só vai acontecer o que você quiser, quando e como você quiser e se você quiser. Agora… se for do seu interesse, coisas muito impressionantes podem mudar ai na sua vida!

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