Mentir é impróprio do cérebro

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Saiba porque o cérebro lida mal com as nossas próprias mentiras

Meio mundo anda a mentir a toda a hora. Há até profissões e atividades em que a mentira é um recurso de “sobrevivência” (muitos políticos mentem, muitos vendedores mentem, as crianças não passam sem uma mentirinha por dia, nós mesmo mentimos uma vez por outra mesmo que sem intenção maldosa).Mas veja o que acontece no cérebro. Quando mentimos deliberadamente (ou seja, com perfeita consciência) estamos a criar, no cérebro, uma contradição psicológica e biológica.O cérebro trabalha com informação. Neste capítulo ele apenas sabe trabalhar com informação correta. Se ele “sabe” que, por exemplo, eu quero decidir faltar a um encontro com alguém e se eu me desculpar dizendo que “estou com muito trabalho e não posso ir” estamos perante uma contradição, uma não-verdade (ou seja, estou mentindo ao outro). Meu cérebro “sabe” que, na verdade, não me apetece é ir ao dito encontro e “sabe” também que isso de eu ter “muito trabalho” é pura mentira.

imagesComo o cérebro trabalha com informação realista (ou percebida como tal) gera-se nele uma contradição que resulta do facto de ele ter de administrar 2 informações antagónicas: a que é verdadeira e a que é falsa.

A tendência do cérebro é agarrar-se à verdadeira (não por razões morais mas cognitivas) e esquecer-se da mentira (pois esta é uma informação que falseia a anterior). Por isso é que, sob o ponto de vista cerebral e psicológico, manter uma mentira é muito mais difícil do que manter a informação tida como verdadeira.

Os mentirosos “amadores” e inexperientes acabam, frequentemente, por “se esquecerem” que mentiram e acabam falando a verdade mais cedo ou mais tarde. Isso também explica porque os detetores de mentira funcionam, com frequência, com êxito. É que, quando se mente, verificam-se alterações orgânicas (devido a desconforto psicológico que a mentira gera) que o aparelho regista.

Exceptuando aquelas pessoas com muita prática de mentir, a maioria de nós convive mal com as suas próprias mentiras. Não apenas por razões de ética e moral mas por fatores neuropsicológicos.

Nelson S. Lima via Saulo Caldeira

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