Decidir ou não decidir: um trabalho cerebral complexo

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imagesO que é decidir?

Em rigor é fazer escolhas e é o que fazemos a todo o momento, milhões de vezes por dia mesmo quando temos de atravessar uma rua. Muitas decisões são pensadas e tomadas conscientemente. Mas muitas mais não são refletidas e tomadas dessa forma. São decisões não conscientes, automáticas, assumidas por áreas do cérebro encarregadas dessas funções. Frequentemente também tomamos decisões conscientes e não conscientes em simultâneo. O prestigiado filósofo Daniel Dennett, especializado em estudos da mente, confirma que “muitos momentos decisivos da vida não são acompanhados por decisões conscientes”. Estas dependem de uma espécie de diálogo oculto mental e só tomamos conhecimento da decisão quando ela já foi tomada.

É o que acontece quando dizemos “Já tomei a decisão” no momento em que ela aparece na consciência. É uma espécie de salto da não-decisão para a decisão. Afinal, limitamo-nos a ter conhecimento da decisão que algures no cérebro foi por nós tomada.O cérebro é especialista nestes processos não conscientes. Reunimos a informação no cérebro e a decisão surge de um momento para outro. Curiosamente, muitas vezes, quanto mais refletimos e reunimos informação, mais confusos e indecisos ficamos. Nessas ocasiões hesitamos. Por isso certas pessoas sabem que o melhor é durante umas horas ou dias não pensar mais no assunto. Lá dentro, no cérebro, o trabalho continua mas no silêncio dos bastidores da mente.O que torna isso possível é uma espécie de inteligência computacional, oculta, inconsciente, a mesma que dirige outros processos mentais que marcam os nossos comportamentos do dia a dia.

Decidir é também um hábito que, de acordo com o pedagogo J. A. Marina, é “o hábito de arriscar” cuja aprendizagem tem de ser precedida de uma reeducação do estilo afectivo especialmente quando temos medo de tomar decisões (acontece com certos tipos de personalidade).

Há uma zona do cérebro que é responsável por estas coisas. É o chamado cérebro executivo ocupado pelos lobos frontal e temporal. Uma doença chamada “demência frontotemporal” pode afectar a tomada de decisões de uma maneira estranha. A pessoa perde a capacidade de perceber as relações sociais, de sentir vergonha e de avaliar os aspetos emocionais e morais de uma decisão. Toma decisões apenas racionais, mantem o seu poder de análise intacto e que pode ir ao detalhe mas aquilo que faz pode ser totalmente inapropriado, inconveniente e socialmente condenável.

Nelson S. Lima via Saulo Caldeira

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